17 mar. 2011

Arrepender-se


Coisa bonita. Acabaram de trazer à luz um quadro de Anton Van Dyck que durante 200 anos acreditou-se que fosse falso. Uma das principais técnicas para descobrir a originalidade da obra foi, por meio de Raios X especiais, investigar a existência de "arrependimentos". Os arrependimentos são as marcas que provam que o pintor mudou de ideia ao longo do processo de pintura. O quadros falsos não costumam ter "arrependimentos", pois os copiadores vão direito na forma que querem e a copiam, explicaram os especialistas.

E eu fiquei pensando sobre o caso como metáfora, claro. Para ser verdadeiro, há que se arrepender de vez em quando. E testando, apagando, voltando a pintar, chegar onde se quer. O erro faz parte. E faz parte do melhor. Do verdadeiro.
BGL.

P.D.: O quadro é La Virgen y el Niño con los pecadores arrepentidos (aprox. 1625). E o autor da descoberta é o professor e pesquisador de História da Arte, Matías Díaz Padrón.
Será coincidência o fato do título/temática da obra falarem de arrependimento e ter sido justamente uma técnica que leva esse nome a responsável pela recuperação do quadro, de um porão poeirento? Certamente não. Não podemos explicar, mas coinciências, definitivamente, não existem.